Quimioterapia baseada em platina associada a Cetuximabe no Câncer de Cabeça e Pescoço (CCP)

Compartilhe:

IMG_9327Programa de Residência em Cancerologia – Famed – UFU

Residente responsável pelo artigo: Amanda Souza Teles – R1 de Cancerologia Clínica

Módulo: Câncer de Cabeça e Pescoço

Responsável Dr. Glauco Costa Silveira

Coordenador da Residência em Cancerologia – Dr. Rogério Agenor de Araújo

Título do artigo: “Platinum-Based Chemotherapy plus Cetuximab in Head and Neck Cancer” – Quimioterapia baseada em platina associada a Cetuximabe no Câncer de Cabeça e Pescoço (CCP).

Data da apresentação: 15/07/2016

Publicação: The New England Journal of Medicine – n engl j med 359;11; september 11, 2008.

Resumo:

Este estudo investiga a eficácia do cetuximabe em adição a quimioterapia baseada em platina como primeira linha no tratamento de pacientes com CCP recorrente ou metastático.
Foram randomizados 220 pacientes elegíveis com CEC de cabeça e pescoço recorrente ou metastático não tratados para receber cisplatina (na dose de 100mg/m² no dia 1) ou carboplatina (com AUC de 5, em uma hora de infusão, no dia 1) mais fluorouracil (1000mg/m² durante 4 dias), a cada 3 semanas por no máximo 6 ciclos. Outros 222 pacientes receberam o mesmo esquema de quimioterapia associado a cetuximabe (dose inicial de 400mg/m², seguido de 250mg/m² nas semanas subsequentes) durante no máximo 6 ciclos. Pacientes com doença estável que receberam quimioterapia associada a cetuximabe continuaram a receber cetuximabe como terapia de manutenção até progressão de doença ou toxicidades inaceitáveis.

A adição de cetuximabe à quimioterapia com platina e fluorouracil prolongou a mediana de sobrevida global de 7.4 meses no grupo da quimioterapia isolada para 10.1 meses no grupo que recebeu quimioterapia mais cetuximabe (hazard ratio para morte de 0.80; 95% de intervalo de confiança, 0.64 a 0.99; p=0,04). A adição de cetuximabe também prolongou a mediana de sobrevida livre de progressão de 3.3 meses para 5.6 meses (hazard ratio para progressão de 0.54; P<0.001) e aumentou a taxa de resposta de 20% para 36% (P<0.001). Os efeitos adversos grau 3 ou 4 mais comuns nos grupos da quimioterapia isolada e da quimioterapia associada ao cetuximabe foram anemia (19% e 13%, respectivamente), neutropenia (23% e 22%) e trombocitopenia (11% nos 2 grupos). Nove pacientes no grupo do cetuximabe tiveram quadro de sepse e apenas 1 paciente no grupo da quimioterapia isolada (P=0.02). Dos 219 pacientes que receberam cetuximabe, 9% tiveram reações de pele grau 3 e 3% tiveram reações relacionada a infusão grau 3 ou 4. Não houveram nenhuma morte relacionada ao cetuximabe.

Em comparação com a quimioterapia baseada em platina e fluorouracil isolada, o cetuximabe associado a quimioterapia com platina/fluorouracil aumentou a sobrevida global como tratamento de primeira linha nos pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço recorrente ou metastático.

Opinião da equipe: este artigo não muda nossa prática clínica, pois embora tenha aumentado a sobrevida, com significância, não apresentou relevância clínica importante, associado a toxicidade não desprezível e com custo elevado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *