Histórias

Encontro de solidariedade: pacientes e doadora trocam experiências

SUPERAÇÃO MARÇO 2016 FINAL - ATUALIZADA 24 DE FEVEREIRO-3Para transformar a realidade precária que pacientes com câncer enfrentavam antes da construção do Hospital do Câncer e que hoje conta com uma estrutura que é de se orgulhar, o Grupo Luta Pela Vida contou com outro ingrediente além do cimento e tijolos para a construção do Hospital: as doações da população. Desde as primeiras campanhas de arrecadação, ainda em 2000, a sociedade nunca deixou de apoiar a ONG para viabilizar a construção do Hospital e ao longo desses anos a relação com os doadores só se consolidou. Mas quem são os doadores que ajudam a manter o Hospital do Câncer? Alguns doam desde as primeiras campanhas e há ainda aqueles que começaram a contribuir na a luta contra o câncer recentemente.

Luciene Martins é um dos exemplos de doadores que ajudam com o Hospital do Câncer há muitos anos. A futura advogada conta que o ato de doar sempre foi cultivado em sua casa. “No início, eu e o meu marido doávamos separadamente. Depois passamos a fazer uma doação da nossa família. Nunca deixamos de doar e sempre que podíamos aumentávamos a doação porque sabemos como o trabalho é importante”, conta Luciene.

Apesar da satisfação em ajudar, Luciene não conhecia toda a estrutura do Hospital que ajudou a construir. Convidada pelo Grupo Luta Pela Vida para ver como sua doação é aplicada, Luciene se impressionou. “ Eu achei incrível tudo o que vi. Eu parabenizo o Grupo Luta Pela Vida por saber aplicar bem as doações. Foi uma emoção que eu jamais vou esquecer”, conta a doadora.

IMG_5984Além de visitar o Hospital, Luciene conheceu quem é beneficiado por suas doações: os pacientes, representados por Willian Martins e Mariluce Moura. Ele, enfrenta um câncer de próstata desde 2014, ela, um câncer no intestino diagnosticado em 2013. Na conversa entre doadora e pacientes, cada um contou sua trajetória e a importância do Hospital do Câncer em suas vidas.

Para Willian, de 64 anos, as palavras são de gratidão após o acolhimento que recebeu durante o seu tratamento contra o câncer. “Quando eu olhava o Hospital de fora eu só conseguia sentir medo, mas quando entrei aqui e já de cara vi esse pé direito alto, esse ambiente tão bem cuidado, tudo mudou”, conta Willian. Ele destaca que além do ambiente, os funcionários e voluntários fazem toda a diferença na instituição de saúde. “Todo mundo trata a gente bem aqui. Desde o recepcionista que vem com um sorriso até o médico que está preparado para nos receber. Tem médicos aqui que você fica perto deles e nem sente que está doente”, comenta.

Para Mariluce, o Hospital trouxe coragem e um mundo novo de possibilidades. Entre os procedimentos para o seu caso, ela precisava fazer uma cirurgia, porém sentiu medo em realizá-la. A força para enfrentar a doença surgiu depois de participar das oficinas de artes oferecidas aos pacientes. “Eu comecei a tirar foto, a pintar, coisas que eu nunca fiz. Naquele momento eu não sentia dor, nem medo e isso tudo me ajudou a ter coragem para fazer a cirurgia. Se não fosse o Hospital como eu iria conseguir perder meus medos e me salvar? ”, conta a paciente.

HC capa-5706As palavras de Mariluce e Willian para Luciene eram de agradecimento por saberem que as doações ajudaram no tratamento dos dois. “A senhora já fechou os olhos na sua casa e imaginou que estava ajudando na cura de alguém? A sua doação, não importa o valor, é incrível”, afirma Willian. Para Mariluce, a ação dos doadores ajudou a mudar sua vida. “Eu agradeço muito a todos os doadores que ajudam o Hospital. Eles me deram a vida e eu nunca vou conseguir agradecer o quanto isso foi importante para mim’, afirma.

Para Luciene, poder saber como as suas doações transformam a vida das pessoas foi também enriquecedor. “Estar aqui, conhecer o Hospital e saber a história dessas pessoas que lutam pela vida é o maior presente que eu poderia receber. Doar para o Hospital do Câncer é uma satisfação e eu pretendo fazer sempre, pois eu sei que aqui tem o tratamento, mas tem muita vida e muito amor”, completa.

Venci o câncer com bravura e fé

certificado-luci-monica-cunhaA exposição fotográfica “Lindas de Viver”, feita especialmente para o Outubro Rosa, idealizada pelo Grupo Luta Pela Vida e exposta em 2013, foi o ponta pé para a manicure Luci Cristina Oliveira, de 43, enfrentar com a cabeça erguida o câncer na mama direita. Ela mesma conta como foi à experiência de enfrentar com bravura e fé esse momento delicado de sua vida:

Com um sorriso no rosto e muita esperança na vida resolvi participar da mostra fotográfica, que aconteceu logo que descobri um carocinho maligno de 8,5 centímetros na mama direita que me rendeu sessões de radioterapia, de quimioterapia e uma cirurgia.

No dia em que recebi o diagnóstico, a primeira coisa que veio a mente ao abrir o exame foi que eu precisava ter força e fé, entregar a minha vida nas mãos de Deus. E assim se deu. A cirurgia realizada neste ano me deixou acamada por 40 dias, mas nunca me deixei abater. Sinto-me privilegiada, pois cresci e passei a me valorizar mais como mulher. Hoje, tiro tempo para refletir, valorizo mais as pessoas, saio, faço atividade física, vou ao salão me arrumar, me olho no espelho. Uso prótese de tecido porque retirei um quarto da mama, mas a cirurgia ficou tão bem feita que nem precisaria usar enchimento. Como sou vaidosa, prefiro colocar até o dia em que eu fizer simetria para diminuir a mama esquerda. Nem preciso, mas vou fazer para ficar bonita. Ainda continuo de olho na doença. Faço acompanhamento médico e exames periódicos.

Sempre fui otimista, confiei e senti Deus na minha vida e consegui vencer essa situação. Depois de passar por momentos tensos, posso dizer que mudei o modo de encarar e viver a vida. Sou uma pessoa transformada, que busca pela qualidade de vida. É preciso confiar no amor de Deus porque Ele nos dá forças para ultrapassar qualquer barreira.

No momento, faço fisioterapia no Hospital do Câncer duas vezes por semana para recuperar a sensibilidade na mão direita e voltar a fazer unha, minha profissão desde os 16 anos. Meu sonho é ser locutora de rádio e é atrás desse sonho que vou em busca.

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Voluntária cultiva plantas em sua própria casa para ajudar o Hospital do Câncer

DSC08375aaa Um quintal no fundo de casa, muito espaço e um pouco de terra. O que fazer com tudo isso? ‘Ah, vamos aproveitar o espaço e ampliar a casa’ ou então ‘quem sabe não daria uma bela piscina para curtir o fim de semana? Para a voluntária Abigail Rodrigues nenhuma dessas opções parecia suficientemente boa. Para ela o espaço seria mais bem aproveitado para cultivar plantas ornamentais, medicinais e alguns temperos, deixá-las cheios de vida e colocá-las para serem vendidas no Bazar do Hospital do Câncer.

 

Como assim utilizar o seu próprio quintal, cuidar de vários tipos de plantas por dias ou talvez meses e não receber nada em troca? Para Abigail o trabalho começou como uma forma de agradecimento por ter se curado de um câncer de pele em 2013. “No início de tudo eu pensei que faria o trabalho somente por um ano, para agradecer a minha cura. Depois o tempo foi passando e hoje eu não consigo pensar em parar”, diz a voluntária.

DSC08345aaaAbigail gosta mesmo desta transformação de vida que começa com uma pequena muda e depois torna-se planta verde dentro dos potinhos no fundo de seu quintal para ganhar as prateleiras do Bazar e da loja do Núcleo de Voluntários do Grupo Luta Pela Vida. Esse é um trabalho que se repete todos os meses e que conta com colaboração de cerca de 48 pessoas, que contribuem com a doação de vasos e mudas para serem cultivadas por Abigail. A voluntária trabalha atualmente com 28 variedades de plantas. Os temperos, como manjericão e o alecrim, estão entre os mais procurados, além de opções para fazer chás, como a hortelã. Já para enfeitar a casa, os cactos têm maior saída, pois exigem cuidados mais simples. Somente no ano passado foram vendidas 1117 plantas, com preços que variam de R$ 3,00 a R$ 20,00.

Mesmo sem ter formação ligada à botânica, a dedicação à flora fez a voluntária receber um apelido especial. “Muitas pessoas me chamam de ‘Dedo Verde’, porque quando ganho uma muda é muito difícil ela morrer. Cuido das minhas plantas como se fossem meus filhos”. Além de ser uma forma de ajudar o Hospital do Câncer, Abigail comenta que a experiência de cultivar as plantas é uma forma de ganhar conhecimento e conhecer pessoas. “Depois de começar esse trabalho eu não tenho mais tempo ocioso. Eu passo informações sobre as plantinhas, como devem ser cuidadas, mas também muitas pessoas me ensinam o que sabem sobre o cultivo e as propriedades delas. É ótimo”, conta Abigail.

Além de receber a colaboração de outras voluntárias, o trabalho também conquistou a família da voluntária. O irmão é companheiro de pesquisas e está sempre em busca de informações de como cuidar melhor das plantas. Até mesmo o neto de sete anos já percebeu como o trabalho é importante. “Um dia meu netinho chegou para mim e disse: Nossa vovó, é bem legal esse negócio de plantar e levar para o Hospital do Câncer”, comenta.

Apesar de todo o trabalho e dedicação que as plantas exigem, Abigail acredita que poder contribuir com o Hospital e fazer bem para a natureza são as melhores recompensas. “Quando vejo alguém feliz com as plantinhas e ainda saber que o dinheiro vai poder ajudar os pacientes, tudo vale a pena, paga qualquer esforço”, completa Abigail.

Fotos: Sabrina Tomaz

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