Esvaziamento cervical eletivo versus terapêutico em câncer oral com lifonodos negativos

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cristianoPrograma de Residência em Cancerologia – Famed – UFU

Residente responsável pelo artigo: Cristiano Menezes Fernandes – R1 de Cancerologia clínica

Módulo: Câncer de Cabeça e Pescoço – Responsável Dr. Glauco Costa Silveira

Coordenador da Residência em Cancerologia – Dr. Rogério Agenor de Araújo

Título do artigo: Elective versus Therapeutic Neck Dissection in Node-Negative Oral Cancer (Esvaziamento cervical eletivo versus terapêutico em câncer oral com lifonodos negativos)

Data da apresentação: 16/05/2016

Publicação: N Engl J Med 2015;373:521-9.

Resumo: O artigo avalia Se os pacientes com câncer oral em estágio inicial devem ser tratados com esvaziamento cervical eletivo no momento da cirurgia primária ou com esvaziamento cervical terapêutico após recidiva linfonodal tem sido uma questão de debate. Este estudo foi desenvolvido por investigadores acadêmicos pertencentes ao Grupo de Gestão de Doenças da Cabeça e Pescoço do Tata Memorial Centre, em Mumbai na Índia.

Foi um estudo prospectivo, randomizado, controlado, avaliando o efeito na sobrevida dos pacientes que foram submetidos a dissecção linfonodal eletiva (esvaziamento cervical ipsilateral no  momento da cirurgia primária) em comparação com a dissecção linfonodal terapêutica (espera vigilante, seguido de esvaziamento cervical no momento da recaída linfonodal), em pacientes com carcinoma de celúlas escamosas em estágio inicial. Os desfechos primário e secundário foram a sobrevida global e a sobrevida livre de doença, respectivamente.

Entre 2004 e 2014, um total de 596 pacientes foi inscrito no estudo (245 no grupo de cirurgias eletivas e 255 no grupo de cirurgias terapêuticas), com um seguimento médio de 39 meses. Houve 81 recorrências e 50 mortes no grupo de cirurgias eletivas e 146 recorrências e 79 mortes no grupo de cirurgia terapêutica. Aos 03 anos, dissecção linfonodal eletiva resultou em uma taxa de melhoria da sobrevida global de 80,0%, em comparação com dissecção terapêutica 67,5%, com significância estatística. Nessa altura, os pacientes no grupo da cirurgia eletiva também tiveram um aumento da taxa de sobrevida livre de doença do que aqueles no grupo de cirurgia terapêutica (69,5% versus 45,9%). Dissecção eletiva dos linfonodos foi superior na maioria dos subgrupos sem interações significativas. Taxas de eventos adversos foram de 6,6% no grupo de cirurgias eletivas e 3,6% no grupo de cirurgia terapêutica.

Em conclusão, entre os pacientes com câncer oral de células escamosas em estágio inicial, esvaziamento cervical eletivo resultou em maiores taxas de sobrevida global e sobrevida livre de doença do que nos pacientes que foram tratados com esvaziamento cervical terapêutico.

Opinião da equipe: concordamos que o tratamento padrão deva ser esvaziamento linfonodal eletivo junto com o procedimento de cirurgia do tumor primário. Tal procedimento dá maior acurácia sobre a realidade da infiltração destes linfonodos de drenagem. E esta conduta possibilita poupar a radioterapia cervical naqueles negativos e intensificar esta irradiação, concomitante com quimioterapia, naqueles realmente com comprometimento destes linfonodos.

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