Dia Nacional da Saúde: Colaboradores do Hospital do Câncer relatam suas experiências para evitar o contágio da COVID-19 durante a pandemia

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Para além das preocupações em enfrentar a pandemia da COVID-19 protegendo a si mesmo e suas famílias, os funcionários do Hospital do Câncer em Uberlândia precisaram estudar formas de continuar desempenhando suas funções a fim de permitir que os pacientes oncológicos continuassem seus tratamentos durante a crise sanitária. Além das medidas adotadas após as recomendações do Comitê de Enfrentamento da UFU, para estes colaboradores, foi desafiador vencer as barreiras psicológicas. 

“Nas primeiras semanas da pandemia da COVID-19, a sensação que eu tinha era de estar indo desarmada para uma guerra”, conta Eduarda Marinho, pesquisadora do Núcleo de Projetos, Prevenção e Pesquisa contra o Câncer, o NUPPPEC, do Hospital. Ela lembra que após uma reunião que os colaboradores realizaram com a Dra. Claudia Tavares, vice-chefe do setor de oncologia do Hospital de Clínicas da UFU, eles tiveram a dimensão do que estava acontecendo: “Eu tinha medo pelos meus colegas que estavam na linha de frente do Hospital e comecei a questionar se iríamos ter recursos para os pacientes continuarem em tratamento.”

Eduarda Marinho, pesquisadora do Núcleo de Projetos, Prevenção e Pesquisa contra o Câncer.

Jomhara Gomes é atendente do Hospital do Câncer e era uma das pessoas que estavam na linha de frente antes da implementação da Triagem. Segundo ela, o medo tomou conta: “Nós tínhamos medo, os pacientes tinham medo e para piorar, existiam muitas informações desencontradas.” Ela lembra que em diversos momentos os pacientes chegavam para serem atendidos exaltados e cheios de dúvidas sobre o funcionamento do Hospital durante a pandemia, alguns tiravam as máscaras ou tentavam algum tipo de contato físico, o que já despertava uma sensação de insegurança nos colaboradores. 

Jomhara Gomes, atendente do Hospital do Câncer em Uberlândia. 

A supervisão do setor de atendimento do HCa foi alterada durante este período e quando Edésio Vasconcelos assumiu a função, rapidamente enxergou a vulnerabilidade que sua nova equipe estava correndo, e uma de suas primeiras preocupações foi juntar o maior número de informações possíveis para garantir a segurança dos atendentes alinhada com a dos pacientes. É consenso entre todos os colaboradores que a atuação dos atendentes do Hospital do Câncer durante os primeiros momentos da pandemia foi um ato de coragem. “O atendimento do Hospital não pode ser feito de casa, os pacientes precisam continuar seus tratamentos. A gente tinha que continuar”, afirma Edésio. 

Edésio, supervisor do atendimento do HCa.

O setor de radioterapia é outro que lida diretamente com o paciente e, portanto, faz parte da linha de frente do combate a COVID-19 dentro do Hospital do Câncer em Uberlândia. Paulo Ricardo de Souza além de ser um dos técnicos do setor, também desempenha a função de maqueiro, e em nenhum momento pensou em pedir licença de suas funções durante a pandemia, mesmo quando foi dado essa oportunidade. “Estou nessa função há 18 anos, minha vida são os pacientes desse Hospital. Eu não poderia deixá-los em um momento tão delicado”, ele conta.

Apesar de escolher continuar trabalhando, Paulo sempre soube que desempenhar duas funções tão próximas aos pacientes do Hospital poderia lhe oferecer o risco de ser contaminado pela COVID-19. E ele foi. “Muitas vezes eu tenho que carregar os pacientes no colo. Uma semana antes de testar positivo para a COVID-19, eu atendi uma pessoa que foi confirmada.”, lembra o maqueiro. Após acometido pela doença, ele conta que foram quinze dias seguidos em casa. “Senti muito medo e insegurança. O paciente de COVID nunca sabe o que vai sentir no dia seguinte”, relembra emocionado. Hoje, já curado, reconhece que mesmo tendo passado por uma experiência tão angustiante, ele não se arrepende de ter continuado trabalhando. 

Paulo Ricardo de Souza, maqueiro e técnico em radioterapia do Hospital do Câncer em Uberlândia. 

A preocupação dos colaboradores com os pacientes do Hospital do Câncer em Uberlândia não foi pouca. Durante a pandemia, as doações em prol do HCa tiveram uma queda de 35%, o que poderia afetar de forma brusca no tratamento dos pacientes oncológicos. “Essa foi uma das minhas maiores preocupações. Eu comecei a organizar cestas básicas junto ao Centro Espírita que eu frequento para doar pro Hospital. É algo que eu tenho feito até hoje.”, conta Eduarda. Christiane Amaral, a assistente social do Grupo, disse que um dos momentos que mais a assustou foi quando quando essas doações pararam de chegar: “O Hospital sobrevive de doações, é uma das principais formas de estender a assistência aos pacientes.” Foi nesse momento que os colaboradores de vários setores do Hospital se organizaram para angariar doações em prol do paciente em um momento tão delicado. 

Christiane Amaral, assistente social da instituição.

Com o esforço de todos os colaboradores e aconselhados pelo Comitê de Enfrentamento à COVID-19 da UFU, o Hospital do Câncer em Uberlândia adotou várias medidas para evitar o contágio da doença e isso fez com que nenhum paciente deixasse de ser atendidos durante a pandemia. O tratamento deles não pode parar. Que hoje, no Dia Nacional da Saúde, possamos celebrar aqueles profissionais que se esforçam para manter a saúde dos pacientes mesmo em tempos que enfrentamos a maior crise sanitária de nossa geração.

 

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